HISTÓRIA

A Igreja Presbiteriana na Escócia

A Igreja da Idade Média, já corrompida na doutrina e nos costumes, apesar do seu poderio, também tinha seus críticos. Uma das questões com as quais o primeiro arcebispo de Glasgow teve que lidar foi um movimento de Ayrshire que desafiava o ensino da Igreja de então. Conhecidos como 'os lolardos de Kyle', esses críticos não apenas rejeitavam as práticas tradicionais já estabelecidas; eles contra-argumentavam a favor dos padres serem autorizados a se casar (o que é diferente de fechar os olhos ao concubinato).

Além disso, também defendiam o direito das pessoas de ler a Bíblia e adorar em sua própria língua. 'Lolardia' era um termo pejorativo (significando 'murmúrio') usado para descrever o ensino 'radical' do teólogo inglês do século XIV, John Wycliffe. Na Escócia, isso veio a produziu mártires como James Resby, queimado na fogueira em Perth em 1407, e Paul Crawer, que sofreu o mesmo destino em St Andrews em 1433.

Martinho Lutero e as vendas das indulgências

Em 1517, as coisas chegaram ao auge quando Martinho Lutero pregou suas Noventa e Cinco Teses na porta da Igreja de Todos os Santos em sua cidade natal, Wittenberg. O foco particular de Lutero era a venda de indulgências que pretendiam reduzir o tempo dos já falecidos que estavam no purgatório, com os lucros que financiavam a reconstrução da Basílica de São Pedro em Roma. Graças à recém-inventada máquina de impressão, as ideias de Lutero se espalharam rapidamente por toda parte. Na Escócia, elas foram abraçadas por pessoas como Patrick Hamilton, que estudou na Alemanha e foi martirizado em St Andrews em 1528.

John Knox e a rejeição da autoridade papal

Outros assumiram a causa, incluindo George Wishart e seu guarda-costa, John Knox. Wishart também sofreu o martírio, mas Knox, fortemente influenciado por João Calvino pelo tempo que passou em Genebra, sobreviveu para atingir seu objetivo quando, em agosto de 1560, o Parlamento escocês rejeitou a autoridade do Papa e proibiu a missa. No ano seguinte, as coisas foram complicadas (para dizer o mínimo) pelo retorno da França de Mary Queen of Scots (Maria Stuart ou Maria I, Rainha da Escócia) para assumir seu trono e aderir pessoalmente ao catolicismo romano no qual ela havia sido criada.

O objetivo de Knox e seus seguidores era a reforma, não a criação de uma nova Igreja. Na verdade, houve aqueles dentro da liderança da Igreja pré-Reformada, que continuaram a servir, defendendo mudanças internas e dando liderança à Igreja pós-Reformada. Os padres tornaram-se ministros, os bispos serviram como superintendentes (ministros com uma missão regional) e novas estruturas foram postas em prática, embora só em 1592 um sistema presbiteriano completo foi adotado pela Igreja e Parlamento escoceses. Este compreendia uma série ascendente de tribunais compostos por ministros e anciãos, nomeadamente, Sessão Kirk, Presbitério, Sínodo e Assembleia Geral.

Os Covenanters e o estabelecimento da Igreja Presbiteriana

Após o assassinato de seu marido, Lord Darnley, e seu casamento três meses depois com o conde de Bothwell (suspeito de envolvimento na trama do assassinato), Mary foi pressionada a abdicar em favor de seu filho pequeno, James. Seus apoiadores se uniram em sua causa, mas, após a derrota na Batalha de Langside em 1568, ela fugiu para a Inglaterra, onde foi presa por Elizabeth e finalmente executada em 1587. Em 1603, com a morte de Elizabeth, as Coroas da Escócia e da Inglaterra foram unidas sob James. Seu objetivo era a uniformidade da Igreja, nas linhas episcopais, ao norte e ao sul da fronteira. Consequentemente, durante seu reinado e o de seus sucessores Carlos I e II, a Igreja escocesa alternou entre o presbiterianismo e o episcopado. Os reis de Stewart eram crentes firmes em seu direito divino de governar tanto a Igreja quanto o Estado, mas eles tinham que contar com os Covenanters que, em 1638, assinaram o firme Pacto Nacional Presbiteriano. Só em 1690, após a 'Revolução Gloriosa', a Igreja Escocesa reformada foi finalmente estabelecida como Presbiteriana, embora, mais tarde, mais problemas viessem a surgir.

Traduzido com pequenas adaptações de: História | A Igreja da Escócia (churchofscotland.org.uk)

A Igreja Livre da Escócia (continuada)

Quem somos

A Free Church of Scotland é uma Igreja Presbiteriana cujo culto e doutrina se mantêm fiéis à posição adotada pela Igreja da Escócia desde a sua formação no período da Reforma Protestante. Sua divergência do corpo conhecido como Igreja da Escócia data da Ruptura de 1843, quando, sob a liderança do Dr. Thomas Chalmers, o Partido Evangélico na Igreja da Escócia, como por Lei Estabelecida, retirou-se do Establishment para formar a Igreja da Livre Escócia.

Ruptura

A causa da ruptura foi a insistência dos tribunais civis em ordenar homens ao ministério independentemente da aceitação dos membros da igreja. O Partido Evangélico considerou isso como uma interferência intolerável nas liberdades espirituais da igreja e assim muitos se retiraram da Igreja Estabelecida para formar a Igreja Livre.

A ruptura não tinha como propósito causar uma divisão na Igreja, mas apenas romper o seu vínculo com o Estado e a consequente subserviência à outra autoridade que não a vontade de Deus conforme revelada nas Escrituras. A sua adesão à Confissão de Fé e lealdade aos mesmos princípios históricos já estabelecidos permaneceriam os mesmos.

A Igreja Estabelecida permaneceu. Entretanto, a Igreja Livre foi organizada por não aceitar a interferência do governo civil quanto às liberdades espirituais.

Declinação

A Igreja Estabelecida e a Igreja Livre não eram as únicas Igrejas Presbiterianas na Escócia no século XIX, visto que, já no século XVIII, vários agrupamentos presbiterianos haviam se formado com pontos de vista confessionais distintos. No final do século XIX surgiu um movimento com o propósito de unir essas várias igrejas presbiterianas, mas, dada a natureza das diferentes formulações confessionais, foi proposto um acordo para que a unidade pretendida se concretizasse. Deixando de lado as diferentes opiniões, foi firmado um compromisso com base unicamente na adoção e subscrição de um documento suficientemente vago e elástico para que a união das várias igrejas se firmasse.

Quando a Igreja Livre foi confrontada com esse dilema, uma minoria considerou que as doutrinas que estavam sendo tratadas como questões em aberto eram tão vitais para a fé que o dever da unidade cristã não poderia se sobrepor ao dever maior de fidelidade à verdade. A consequência foi que, quando a grande maioria da Igreja Livre entrou na União de 1900 para formar a Igreja Livre Unida da Escócia (e, em 1929, para se reunir com a Igreja da Escócia), uma pequena minoria preferiu continuar na Igreja Livre da Escócia. Os adeptos desse partido “constitucionalista”, como era chamado, encontravam-se principalmente, embora não exclusivamente, nas Terras Altas e Ilhas da Escócia.

Hoje a Igreja Livre da Escócia, embora muito reduzida em tamanho, mantém o sistema de doutrina e a forma de culto adotada pela Igreja da Escócia na Reforma em continuidade com a Igreja de 1843. O canto dos salmos métricos escoceses desacompanhados de música instrumental é, talvez, a característica mais distintiva de sua liturgia, mas a principal ênfase de seu culto ainda se encontra na centralidade do púlpito e na proclamação de uma salvação livre e soberana.

Divisão

A Igreja Livre continua até os dias atuais. Na Comissão da Assembleia, em janeiro de 2000, ocorreu uma divisão porque a maioria estava determinada a agir de uma maneira que era contra a constituição ou “livro de regras” da igreja, que todos os oficiais devem subscrever. Vários ministros e presbíteros assinaram uma “Declaração de Reconstituição” na qual se comprometeram a continuar a Igreja Livre de maneira constitucional. Eles são a Igreja Livre da Escócia (Continuada). Usamos este título para distinguir, apenas para fins de administração, da Igreja Livre da Escócia reconstituída de qualquer corpo residual que reivindique esse título. Continuamos a ser a Igreja Livre da Escócia.

Traduzido de freechurchcontinuing.org

O presbiterianismo em Portugal

O presbiterianismo em Portugal teve seu início na Madeira, entre os anos de 1838 e 1846, quando o médico escocês Robert Reid Kalley foi viver para o Funchal. Lá chegando, começou a realizar trabalho social e evangelizar. Em 1845 foi fundada na capital do arquipélago a primeira comunidade presbiteriana do país. Em 1866 o também pastor escocês Robert Stewart, trouxe a mesma mensagem de salvação aos portugueses do Continente. Em 1870 é organizada em Lisboa, pelo Pastor António de Mattos, a primeira comunidade não católica de Portugal. Mattos, convertido na Madeira pelo ministério do Dr. Kelly, estudou teologia na Escócia, onde fora ordenado. Ao chegar em Lisboa, Mattos já encontrara uma comunidade de portugueses protestantes ligados à igreja da Escócia. Somente em 1944 as igrejas presbiterianas da Madeira, dos Açores e do Continente se uniram formando assim a Igreja Evangélica Presbiteriana de Portugal.

Como resultado da experiência ecuménica iniciada em Portugal em 1956 e da criação do Conselho Português de Igrejas Cristãs (COPIC) em 1971, a IEPP aderiu ao ecumenismo juntamente com a Igreja Evangélica Metodista Portuguesa, a Igreja Lusitana Católica Apostólica e, mais recentemente, a Igreja Ortodoxa.

A Igreja Presbiteriana de Braga

A Igreja Presbiteriana de Braga — sendo a primeira igreja presbiteriana do Distrito de Braga, é o resultado do trabalho iniciado pela família Almeida, formada por brasileiros residentes na cidade de Braga. Após 5 anos residindo nessa cidade e pela inexistência de uma igreja reformada e confessional no Distrito de Braga, deu-se início ao trabalho de implantação de uma igreja de confissão presbiteriana no dia 15 de janeiro de 2017 na residência desta família na freguesia de lamaçães. O Pastor Alexandre Martins, atual pastor da Igreja Cristã Presbiteriana de Montalegre, foi o pregador, e esteve presente nesse culto inaugural com sua família. Ele e o irmão Heraldo Almeida passaram a alternar o púlpito, pregando expositivamente em Malaquias e Efésios, respectivamente, e cooperando com o trabalho.

Inicialmente participavam com regularidade as duas famílias e eventualmente alguma família convidada. Isso se seguiu durante um ano e três meses, quando as famílias Almeida e Martins se tornaram membros da Igreja Cristã Presbiteriana Manancial de Paços de Ferreira, e o ponto de pregação de Braga passou a estar filiado à Igreja Cristã Presbiteriana de Portugal. A partir do dia 11 março de 2018, os cultos passaram a ser realizados na sala 28 da Rua de Caires, 328, Maximinos, Braga. Naquele dia foi pregada a Palavra de Deus na carta de Paulo aos Efésios 2:1-2 pelo irmão Heraldo Almeida. No dia 6 de janeiro de 2022, a Igreja Cristã Presbiteriana de Braga foi, por deliberação do presbitério, sumária e arbitrariamente desvinculada da ICPP, tendo sido comunicada por meio eletrônico no dia 11 de janeiro do mesmo ano. Tal ruptura se deu em razão do presbitério impor sobre a congregação — sem que antes a tivesse ouvido, um pastor não alinhado aos princípios reformados e confessionais, não sendo, portanto, aceito pela igreja local. Desde o dia 27 de junho de 2022, a igreja de Braga passou a ser uma congregação vinculada ao presbitério de Navarra e Aragon da Free Church of Scotland Continuing, adotando o nome de Igreja Presbiteriana de Braga.

Pela graça de Deus, o trabalho em Braga continua firmado nos princípios resgatados pelos reformadores, batalhando "diligentemente pela fé que uma vez por todas foi entregue aos santos" (Jd 1.3).

Como igreja presbiteriana e confessional, e sendo parte integrante da Free Church of Scotland Continuing, prezamos pela prática de piedade cristã e pela pureza do culto público, observando o princípio regulador, conforme expresso nos padrões de Westminster, explicitamente descrito na Confissão de Fé de Westminster, Capítulo XXI — Do Culto Religioso e do Dia do Senhor, § V.